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Entrevista com Jürgen Ziegler, presidente da Mercedes-Benz do Brasil

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A Mercedes-Benz vive uma de suas fases mais prósperas no Brasil, especialmente no segmento de ônibus e caminhões. Nos últimos 12 meses, a montadora alemã renovou totalmente sua linha de produtos, como parte do programa de investimentos de R$ 1,5 bilhão para o período 2011-2013. Quem comanda a arrancada é o economista e administrador de empresas Jürgen Ziegler. Nascido na Alemanha, ele passou pelas filiais da Índia, da China e da Turquia, até desembarcar no Brasil, no final de 2009.

Nesta entrevista, ele defende a manutenção dos incentivos governamentais ao setor, mas destaca que apenas isso não será suficiente para fazer com que a economia volte a crescer em ritmo mais acelerado. “Precisamos ampliar os investimentos, que hoje estão na faixa de 20% do Produto Interno Bruto”, disse Ziegler. Além da área de veículos pesados, o executivo também é encarregado de traçar as estratégias para a divisão de automóveis de luxo, nicho no qual a Mercedes é uma das líderes globais.

Voltar a produzir automóveis no Brasil faz parte dos planos da Mercedes-Benz?
Posso lhe dizer com certeza que isso não está descartado. Contudo, a produção local não depende apenas de vontade. É preciso que tenhamos uma demanda que justifique o investimento exigido para a produção de automóveis. Hoje, o mercado de carros de luxo no Brasil não passa de 20 mil unidades.

Mas a empresa já teve produção local, em Juiz de Fora (MG), com o Classe A. Hoje. o cenário não lhe parece mais favorável?
De fato, o mercado de luxo cresce a uma taxa três vezes acima da do mercado em geral, o que indica que existe uma grande perspectiva futura nesse sentido. Mas não queremos repetir a experiência do passado de começar com um projeto e depois ter de abandoná-lo. Fabricar é fácil, difícil é conseguir nacionalizar a produção na escala necessária para que a operação se torne rentável. Hoje, estamos fazendo nosso dever de casa para conseguir viabilizar isso.

E qual será o novo papel da fábrica de Juiz de Fora?
Trata-se de uma fábrica importante para nosso plano estratégico. Investimos R$ 450 milhões na modernização e ampliação de suas instalações. Hoje, ela pode fabricar 15 mil ônibus e caminhões por ano. Boa parte das mil contratações que fizemos neste ano foi para essa unidade.

O setor de ônibus e caminhões viveu um período difícil neste ano. O que a empresa fez para superar as adversidades?
Nossa opção foi olhar o mercado pelo ângulo da inovação. Fizemos uma completa reformulação na linha para enquadrarmos todos os nossos produtos na norma Euro 5, que define as regras de emissões de poluentes, por exemplo. Tudo isso trabalhando com preços competitivos, na média do mercado.

No que a empresa conseguiu se diferenciar em relação aos demais fabricantes?
Muitos deles fizeram estoque de caminhões antigos, para poder se manter competitivo tendo apenas o preço como diferencial. As pesquisas mostraram que o preço influencia em apenas 15% na decisão de compra. Como o veículo será usado por um longo período, os frotistas levam em conta outros aspectos.

Por que o setor não cresceu em 2012?
A queda do mercado de caminhões e ônibus (a queda foi de 20% e 17%, respectivamente no período janeiro-novembro em relação a 2011) não nos surpreendeu. Trata-se de um fruto direto de fatores como o desaquecimento da economia e dos ajustes referentes à adoção da Euro 5, que obrigou os fabricantes de ônibus e caminhões a desenvolver novos produtos. Mas os problemas do setor vão muito além disso.

Como assim?
A aquisição de caminhões e ônibus está diretamente associada ao ritmo da economia. Para que o Brasil volte a crescer será preciso aumentar o volume geral de investimentos, especialmente em infraestrutura, em relação ao Produto Interno Bruto, que ainda é muito baixo, em torno de 20%, situando-se atrás dos demais países emergentes. Na China, por exemplo, ele chega a 40% do PIB.

É possível crescer sem os incentivos do governo?
Para que o setor automotivo mantenha seus planos, o governo brasileiro terá de seguir com os incentivos, especialmente em relação à redução na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A Mercedes-Benz tem planos de exportação?
Nossa produção local leva em conta a América Latina, onde possuímos fábricas também na Argentina e na Colômbia. Desenvolvemos esses produtos pensando nas condições operacionais das estradas e avenidas do continente. O grau de nacionalização é elevado,com 80% a 85% das peças produzidas no Brasil.

Em termos globais, como está o prestígio da subsidiária aos olhos da matriz?
Desde 2010, o País se tornou o quarto maior mercado da Mercedes-Benz em vendas, atrás dos Estados Unidos, do Japão e do Reino Unido. Também nos destacamos nas áreas de engenharia. A fábrica de São Bernardo do Campo, por exemplo, é hoje o centro tecnológico mundial para chassis de ônibus.

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1 Comment  comments 

One Response

  1. Roberto carlos rodrigues ziegler

    É com grande satisfação ter um “ziegler”,na maior e mais lembrada marca do brasil. Boa sorte na sua nova missão na empresa. meus parabens pelo serviço até aqui muito bem feito.

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